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A situação na Faixa de Gaza é tão dramática que as autoridades locais estão começando a perder o controle sobre o número de vítimas, devido ao corte de comunicações e à falta de combustível, o que dificulta o trabalho de comunicação. Os militares israelenses estão realizando incursões terrestres todas as noites. Não há outra opção senão uma resposta forte contra Israel, pelo menos na forma de sanções políticas e econômicas. O povo palestino não está sozinho.
Palestina Livre, do rio ao mar, já!
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BOLETIM DIÁRIO SOBRE A SITUAÇÃO NO TERRENO
Embora já tenham se passado 22 dias consecutivos de bombardeios monstruosos realizados pelo exército de ocupação israelense por ar, terra e mar contra civis na Faixa de Gaza, a noite passada foi a mais sangrenta de todas.
As características de Gaza mudaram como resultado das massacres sem precedentes. Os destroços estão por toda parte, equipes de resgate e ambulâncias não conseguem alcançar centenas de pessoas desaparecidas sob os escombros, e o corte total das formas de comunicação agravou esse sofrimento.
Em um balanço não definitivo, no qual os números são baseados nos corpos que chegam aos hospitais, a agressão do exército de ocupação israelense contra nosso povo em Gaza e na Cisjordânia matou 7.761 pessoas. Além disso, 21.400 pessoas ficaram feridas desde 7 de outubro.
DADOS ATUALIZADOS
Faixa de Gaza: mais de 7.650 mortos e mais de 19.450 feridos.
Cisjordânia: 111 mortos e mais de 1.950 feridos.
Dos 7.650 mortos em Gaza, 3.195 são crianças e 1.863 são mulheres.
Desde ontem à noite, as forças de ocupação israelenses cometeram 53 massacres contra 825 famílias na Faixa de Gaza, no mais violento bombardeio israelense desde o início da agressão há 22 dias. Centenas deles ainda estão sob os escombros.
Anistia Internacional: Civis na Faixa de Gaza estão expostos a um perigo sem precedentes, e é difícil documentar as violações, uma vez que as autoridades de ocupação israelenses cortaram todos os meios de comunicação e intensificaram seus ataques por meio de bombardeios aéreos, terrestres e marítimos.
A Faixa de Gaza se transformou em chamas desde que as comunicações e as redes de internet foram completamente isoladas do mundo. A ocupação cometeu dezenas de massacres, os maiores e mais violentos desde o início da agressão, na maioria envolvendo pessoas deslocadas, que foram forçadas pela ocupação a irem para o sul da Faixa de Gaza, que alegadamente eram zonas seguras.
Ministério da Saúde: Até o momento, recebemos 1.800 relatórios de desaparecidos, incluindo 1.000 crianças desaparecidas sob os escombros.
PMA: “Do ponto de vista do sistema alimentar, esperamos que entre em colapso completo se não houver chegada de combustível.”
OMS: “O cheiro e o odor da morte estão por toda parte.”
UNICEF: “Conseguimos entrar em contato com alguns membros de nossa equipe humanitária em Gaza. A situação é horrível. Reforçamos nosso apelo por um cessar-fogo humanitário imediato e acesso seguro. O assassinato ou aprisionamento de qualquer criança é uma atrocidade. Deve parar agora.”
Human Rights Watch afirmou que cortar as comunicações e a Internet na Faixa de Gaza, que está sob intensos bombardeios israelenses, pode ser “um pretexto para atrocidades em massa e contribuir para a impunidade por violações dos direitos humanos.”
Josep Borrell: “Gaza está completamente isolada do mundo e sob isolamento, enquanto os bombardeios concentrados continuam. Um grande número de pessoas morreu. Civis, incluindo crianças. Isso viola o direito internacional humanitário.”
Volker Türk: “à luz da forma como as operações militares foram realizadas até agora e no contexto de uma ocupação que existe há 56 anos, um alerta foi emitido sobre as consequências potencialmente catastróficas de uma operação terrestre em grande escala na Faixa de Gaza e a possível morte de milhares de civis adicionais.”
Arábia Saudita condena e denuncia qualquer operação terrestre realizada por Israel, porque elas ameaçam a vida dos civis palestinos e os expõem a mais perigos e condições desumanas, e adverte sobre o perigo de continuar realizando essas flagrantes e injustificadas violações do direito internacional contra o povo palestino e as sérias repercussões que isso terá na estabilidade da região e na paz e segurança regionais e internacionais. O Reino pede à comunidade internacional que cumpra suas responsabilidades para interromper imediatamente esta operação militar.
OMS: “Os relatos de intensos bombardeios em Gaza são extremamente preocupantes. Nestas circunstâncias, não é possível evacuar os pacientes nem encontrar um abrigo seguro. O blecaute também impede que as ambulâncias cheguem aos feridos. Ainda estamos sem contato com nosso pessoal e nossas instalações de saúde. Estou preocupado com a segurança deles. A OMS faz um apelo a todos que têm o poder de promover um cessar-fogo para agir AGORA.”
Comitê Internacional da Cruz Vermelha: “A perda de conectividade está afetando gravemente a população civil, a maioria da qual está deslocada e cambaleante após 22 dias consecutivos de combates intensos. À medida que os bombardeios se intensificam, o corte está afetando as equipes de resposta humanitária.”
CISJORDÂNIA E JERUSALÉM:
Hoje, colonos israelenses assassinaram Bilal Saleh (40 anos), pai de quatro filhos, que foi baleado enquanto colhia azeitonas com sua família e foi executado na frente deles na cidade de Al-Sauiya.
Clube dos Prisioneiros: A ocupação está cometendo os crimes mais graves contra os detidos palestinos em décadas. Há uma decisão sistemática de assassinar os detidos por meio de medidas sistemáticas de tortura, à luz da agressão abrangente contra nosso povo e do genocídio em andamento em Gaza.
Hoje, vários colonos, protegidos pelo exército de ocupação, sequestraram 2 jovens palestinos e os levaram a um destino desconhecido. Enquanto isso, os colonos continuam incendiando áreas das terras da aldeia.
Mais de 250 habitantes da aldeia de Zanuta, ao sul de Hebron, foram forçados hoje a abandonar suas casas e terras devido aos contínuos ataques dos colonos. Os residentes dessa aldeia têm sofrido assédio e ataques dos colonos sob proteção do exército de ocupação israelense há anos. Várias de suas casas e lojas foram demolidas, suas árvores arrancadas pelas raízes e uma zona industrial foi construída para os colonos, bem como institutos religiosos em partes dela.
A província de Jenin anunciou hoje uma greve geral em luto pelas vítimas e para denunciar as atrocidades cometidas pela ocupação israelense contra nosso povo lá.
Hoje, as forças de ocupação israelenses prenderam 20 cidadãos de diferentes partes da Cisjordânia.
As autoridades de ocupação israelenses obrigaram hoje três cidadãos a demolir suas próprias casas em Jerusalém ocupada. As três casas abrigam cerca de 18 pessoas, cada casa tem cerca de 70 metros quadrados.
Hoje, as forças de ocupação israelenses intensificaram suas medidas militares e fecharam a província de Hebron com portões de ferro e barricadas de terra.
Embaixada do Estado da Palestina no Uruguai.
Você pode acessar o documento em espanhol aqui:
Tradução: Marino Mondek