TODO APOIO AOS POVOS DAS AMAZÔNIAS

18 de outubro de 2025

por Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular –
CEPASP

Neste momento em que vivemos a fase superior do capitalismo, o imperialismo, em alto grau de decomposição, para sua salvação lhe resta buscar todas as formas de acumulação, com uso das mais diversas possíveis brutais forças de dominação e apropriação, com a possibilidade de chegar onde jamais se imaginava, na mais longínqua comunidade de povos tradicionais, do Oriente ao Ocidente. 

As forças interimperialistas – dos Estados Unidos, da Rússia ou da China, os primeiros sempre buscando esmagar os demais –, que avançam de forma avassaladora em todos os continentes, às vezes atuam em conluio, para mais uma vez realizarem a partilha das riquezas dos países dominados na África, Ásia ou América Latina. Agora inclui-se a minúscula comunidade da Groenlândia, em razão da ocorrência em seu território de uma potencial reserva de minerais estratégicos para a nova geopolítica mundial.

Enquanto no pós-primeira guerra mundial beneficiou-se da partilha do planeta um número maior de dominadores, incluindo alguns países europeus, nos dias atuais, em fase monopolista do capitalismo, a partilha tende a ser feita entre as três grandes potências, caso Rússia e China sobrevivam às pressões dos Estados Unidos.

Trilhões de dólares do capital especulativo e de capitais gerados de petróleos apropriados à força, como o da Venezuela, poderão ser aplicados para a restauração da estrutura física da Ucrânia, Palestina, Síria, Líbia e outros, gerando mais acumulação e enriquecimento ilícito de diversos grupos oligárquicos, monárquicos ou aristocráticos, mantenedores das burguesias serviçais dos imperialistas nos países subjugados.

Na América Latina está em curso a continuidade da brutal destruição, de dimensões jamais imaginadas, através do que passamos a chamar na Amazônia brasileira, a partir da ditadura militar iniciada em 1964, de grandes projetos agrominerários com créditos subsidiados de altos riscos de degradação social e ambiental. Muito dessa degradação é irreparável, principalmente a destruição de culturas, os grandes desmatamentos, poluição generalizada das águas e do solo, destruição do habitat de seres vivos, extinção de milhares de espécies animais, a geração de grandes depósitos de rejeitos altamente tóxicos, com ampla crise de segurança alimentar.

Nos rastros da destruição, além dos grandes projetos oficiais de extração mineral e de desmatamentos para implantação de pastagens, estão a construção de hidroelétricas, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, linhões de transmissão de energia, a garimpagem com uso de grandes equipamentos, a aplicação de agrotóxicos com uso de aviões e drones, e, para a construção de hidrovias, as dragagens e derrocagens nos rios, agora privatizados pelo entreguista de plantão, o governo Lula.

Para este sinistro desastre, os imperialistas contarão com seus gerentes de turno, ou seja, os governos dos Países, Estados, Municípios e Províncias. Estes deverão se tornar os melhores gerenciadores dos interesses do capital, o que já fazem há séculos em troca de interesses particulares e de migalhas. Os governos da ditadura militar, com sua geopolítica traçada para a Amazônia, cumpriram fielmente este papel, assim como todos os governos ditos civis que os sucederam, com maior fidelidade os governos do PT.

Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), os governos do PT avançaram sobre a Amazônia com a implantação de grandes projetos de infraestrutura para possibilitar o avanço do capital na região. Dentre esses projetos, os mais desastrosos foram a construção das hidroelétricas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia, e a de Belo Monte, no Pará, sacrificando dezenas de milhares de povos do campo e da cidade.

Todo esse aparato, colocado em prática ao longo do tempo, possibilitou a grilagem de terras, com a expansão de latifúndios sobre as terras até então de indígenas, quilombolas e camponeses pobres com pouca terra, impossibilitando que camponeses pobres sem terra tivessem acesso à mesma, o que desencadeou sangrentos conflitos no campo, principalmente nos Estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Maranhão. Conflitos que se intensificaram até os dias de hoje, como o dos indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul, que, em justa retomada de seus territórios, bravamente enfrentam as polícias do Estado e os pistoleiros contratados por latifundiários.

No momento, camponeses, indígenas e quilombolas na Amazônia travam duras lutas em defesa de seus territórios, envolvendo grandes corporações, latifundiários, grileiros, pistoleiros e as estruturas jurídicas, policiais e administrativas do Estado, com enorme poder de fogo e repressão, prisões e assassinatos seletivos. A tomada de terras dos povos acontece por meio de viciados métodos, com a formação de conluios entre órgãos federais, estaduais, prefeituras, cartórios, polícias e tribunais, como vem sendo denunciado com maior ênfase no Estado do Maranhão.  

No Vale do Gurupi, que envolve os Estados do Pará e Maranhão, camponeses e quilombolas denunciam o ataque armado de pistoleiros e grileiros, sob a cobertura de policiais, em áreas de comunidades históricas no município de Vizeu, no Pará, comandado por um grileiro e dois filhos que querem tomar as terras conquistadas pelos povos em lutas travadas contra grileiros e a polícia do governador Jader Barbalho na década de 1980, que culminaram na nefasta perseguição e assassinato do defensor dos posseiros da gleba CIDAPAR, o Quintino.

Em Rondônia, acontece a perseguição histórica a camponeses que, após o massacre de Corumbiara em 1995, decidiram continuar defendendo seus direitos à terra para nela trabalhar. Está acontecendo a expulsão de camponeses de suas terras, torturas, prisões e assassinatos, assim como a criminalização dos movimentos sociais – com um caso bastante divulgado pelo Jornal A Nova Democracia –, da Liga dos Camponeses Pobres-LCP e de seus advogados, e da Comissão Pastoral da Terra-CPT.

No Pará, indígenas, quilombolas e camponeses têm tido suas terras tomadas para a implantação de empreendimentos das corporações agrominerais, com irreparáveis danos ambientais. O caso mais emblemático é a dragagem do rio Tapajós para viabilização da hidrovia para transporte de grãos de grileiros e latifundiários dos Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, sem consultas às populações e sem licenciamento ambiental, como aconteceu com o porto da CARGIL na orla de Santarém.A destruição do Pedral do Lourenção, no rio Tocantins, para viabilizar a hidrovia Araguaia/Tocantins para os mesmos fins que a do Tapajós, repete os mesmos vícios e danos. Em Barcarena, Abaetetuba e Moju os problemas se arrastam e se multiplicam desde a década de 1980.

Assim, em nível mundial, os povos estão sendo impiedosamente assassinados ou se tornando refugiados por conta das guerras interimperialistas. Na Amazônia tal fato se repete nas mesmas proporções, gerenciado pelos serviçais dos imperialistas, principalmente ianques, com o emprego da doutrina “América para os americanos” (EUA), com enorme desterritorialização, massacres e chacinas dos povos, considerados como obstáculos aos saques. 

Entendendo que o sistema é imperialista e a luta deva ser de classes, conclamamos todos os seguimentos sociais para o entendimento da realidade, que é de guerra, para somarmos esforços unificados, superando a dispersão, em apoio à luta digna e necessária dos povos da Amazônia, em particular, e de todos os povos em geral, e ao enfrentamento do imperialismo, do latifúndio e das grandes burguesias, rumo a uma sociedade justa e igualitária.

A defesa da Amazônia nos parece que seja AGORA OU NUNCA!

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