Como o diabo da cruz, o anti-intelectual foge da necessidade do estudo dos fatos materiais, propondo a vacuidade da análise crítica dos temas em discussão. O anti-intelectualismo identitário defende que a ciência produzida pelo homem branco, europeu, cisgênero, devido à sua natureza, é corrompida.
Há 90 anos, em inícios de 1935, Aderbal Jurema, de 23 anos, apenas egresso da Faculdade de Direito de Recife, publicou um livro, para a sua época, excêntrico às leituras do passado escravista brasileiro. (JUREMA, 1935.) Em forma pioneira, seu texto desenvolveu a proposta da oposição, entre escravizados e escravizadores, como pura e lídima expressão da luta de classes sob a escravidão.
Antes do jovem paraibano, apenas Astrojildo Pereira, líder do PCB, de 1922 até sua expulsão, em 1930, propusera, em forma telegráfica, aquela avaliação, ao criticar Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Vianna, em 1° de maio de 1929, no jornal “A Classe Operária”, porta-voz do Partido Comunista Brasileiro. Ele jamais retomou aquela proposta.
O dirigente comunista afirmara, referindo-se ao passado do Brasil: “Os negros lutaram. Luta, aqui também, cruel, feroz, obstinada e secular. Variando de meios, de processos, de armas, ela durou desde a chegada às terras brasileiras da primeira leva de escravos até 1888. Autêntica luta de classes, que encheu séculos da nossa história (…)”. (PEREIRA, 1929.) O livrinho de Aderbal Jurema, que, em 1935, retomava e ampliava essa visão radical sobre o passado do país, foi praticamente desconhecido pela historiografia brasileira.
Os quatro artigos de A contrapelo: escritos sobre a colonização, livro coletivo coordenado por Emanuel Fragoso e Emiliano Aquino, apenas lançado (Fortaleza: UECE Ed., 2025),
Discussões candentes reforçam a necessidade do estudo da escravidão colonial. No mundo, avançam relações de trabalho comumente assimiladas à escravidão. Em países com população com