
II. A Construção de um Soft Power de Olhos de Amêndoas
Em 2023, Giorgio Cuscito, 37, membro do conselho editorial e colaborador de “Limes, rivista italiana di geopolitica”, publicou Xi Jinping: come la Cina Sogna di tornare Impero[“Xi Jinping: como a China sonha em retornar a ser Império”], pela editora Mondadori, propriedade do Grupo Finivest, da família Berlusconi, que dispensa comentários.
A alma do livro se encontra no seu subtítulo, já que a narrativa, de vocação geopolítica em salsa italiana, centra-se na campanha da China de conquista da simpatia mundial, para retornar a ser um “império”. Uma operação, relativamente recente, hoje sob o mando de Xi Jinping, para a construção de um soft power chinês. [ELEONOR, 02/2018.]
Soft power [poder brando], categoria proposta por Joseph S. Nye,em 1990,seria a capacidade de um Estado de determinar o comportamento de comunidades nacionais e extra-nacionais, sem o uso da força, por meio da construção de uma imagem positiva credível de suas propostas políticas, econômicas, comportamentais, etc.
A China sai do Armário
Por anos, o governo chinês optou por “manter um perfil baixo” [“keep low profile”] nas relações internacionais, priorizando às trocas econômicas, como recomendara Deng Xiaoping [1904-1997]. [CUSCITO, 2022, p.74; CARVANA, 08/2024.] Nesses tempos, militantes do PT e do PCdoB, reconvertidos ao lobismo, não raro ex-maoistas, intermediaram interesses econômicos entre os dois países. [MAESTRI, 2020, p.117.]
Desde, no mínimo, 2007, o PCC passou a preocupar-se com o soft power. Antes mesmo do lançamento da “Nova Rota da Seda”, em 2013, a China iniciou uma ampla operação mundial para propagandear a “marca chinesa”. Em 2014, Xi Jinping [1953] propôs: “Devemos aumentar o soft power da China, dar uma boa narrativa chinesa e comunicar melhor a mensagem da China.” [IRFAN, 2024; CUSCITO, 2022, p.125.]
O governo chinês se propunha construir um soft power de alcanceglobal, em disputa com o ianque, que veria como decadente. Para o geopolítico italiano, o que seria um erro, já que o poder de convencimento brando ianque se manteria, no essencial, performático, apesar de algumas derrapagens.
Século da Humilhação
Associado às conquistas econômicas e à construção de um novo poderio, sobretudo marítimo, o soft power seria indispensável ao retorno da China à situação perdida de império, no Oitocentos, “Século da Humilhação”, devido à agressão do Japão e da Europa, sobretudo.
Ambição impugnada pelos Estados Unidos, nação hegemônica, e seus aliados europeus e asiáticos, com um sucesso indiscutível, segundo Cuscito, devido às fragilidades interna da China e, sobretudo, ao antagonismo estadunidense. O livro se ocupa em defender essa tese.
A operação chinesa atual não constitui retorno aos anos 1949-1970, quando o PCC propagandeava o maoismo, mantendo contatos e apoiando com os seus, então, limitados recursos, partidos e movimentos maoistas de ambições revolucionárias através do mundo. [GUILLERMAZ, 1973.]
Realizar bons Negócios
Em 1972, o abraço Nixon-Mao, em viés anti-URSS, e a restauração capitalista, em 1978, lançaram pá de cal sobre os tempos revolucionários. O governo chinês persegue, agora, avançar os seus interesses econômicos e o convencimento da excelência da sua atual sociedade e política internacional.
O que não significa que essa nova orientação não tenha, como defende o governo chinês, uma importante dimensão político-ideológica. [LabGRIMA-UFPEL, 2019.] Cuscito destaca alguns dos instrumentos utilizados na construção da “marca chinesa”, enfatizando seus limites e derrapagens, sem se referir aos sucessos.
Entre as principais operações e recursos chineses para construir o seu soft power, o autor destaca as Olimpíadas de Pequim, em 2008; os mais de quinhentos Institutos Confúcio, com suas salas de aula afiliadas, esparramados pelo mundo [2019]; uma filmografia de intenções globais; a presença significativa nos destacamentos de paz da ONU e nas operações humanitárias; bolsas de estudo para estrangeiros; mídia internacional, etc. [EVAN, 2020; CARVANA, 08/2024.]
Desde o Ensino Básico
A China tem comprado e aberto universidades e escolas secundárias através do mundo. Em inícios de 2021, inaugurou, no Rio de Janeiro, a Escola Chinesa Internacional (ECI), financiada por capitais privados e públicos chineses, dedicada ao ensino básico.
A ECI segue o “modelo da educação básica da China”. Um dos objetivos da escola, segundo responsável, é ensinar as crianças a necessidade de conquistar o primeiro lugar em tudo. Na escola não haveria “cultura do segundo lugar.” [LabGRIMA-UFPEL, 2021.]
Cuscito não se refere a outros recursos, menos perceptíveis, como o uso da intelectualidade mundial. Nos últimos tempos, avolumam-se os intelectuais, políticos, acadêmicos, comunicadores propondo a benignidade do capitalismo chinês; o “socialismo de mercado com características chinesas”; a procura de uma “sociedade harmoniosa”, de um mundo “multipolar” e de “destino comum” para a humanidade pela política externa chinesa, etc. Repetem, no geral, a narrativa de Pequim.
Os filhos de Deng Xiaoping
A campanha de simpatia chinesa vem sendo abraçada comumente por uma intelectualidade que se reivindica de esquerda, marxista e mesmo marxista revolucionária, com destaque para aquela que mantém ainda vínculos político-sociais ou afetivos com o maoismo, o estalinismo, o pós-estalinismo.
Uma adesão que, não raro, sustida, em forma indireta e silenciosa, pela China, que dispõe hoje de recursos monumentais para tal. Um apoio de amplitude difícil de ser avaliado. Os Estados Unidos se servem das mesmas práticas, há décadas, investindo nelas recursos imensos.
Estudantes de minha geração marchavam pelas ruas de Paris, Milão, Lisboa, destemidos, de punho cerrado, gritando “Viva Marx, Viva Engels, Viva Mao Tsé-Tung”. Hoje, ideólogos desfilam pelos jornais, livros, lives, universidades, louvando Deng Xiaoping, Xi Jinping, o “socialismo de mercado”, perseguindo objetivos mais tangíveis e menos arriscados do que a fugidia revolução social.
Forças Produtivas
O italiano Domenico Losurdo é um bom exemplo do sucesso obtido com a defesa do abandono da luta pelo socialismo, em prol de uma sociedade capitalista de sabor chinês, o “tal socialismo de mercado”. Ela propõe a transferência da luta pelo socialismo e de sua construção para um lugar e um tempo pra lá de Bagdá.
Intelectual de pouco destaque no Bel Paese, foi saudado no Brasil como pensador excelente e inovador, defensor da necessária superação do “marxismo ocidental” fracassado, o de Marx, Lenin, Trotsky, Rosa, pelo “marxismo oriental”, vitorioso, de J. Stálin, de Mao, Deng e por aí vai. [MAESTRI, 2020, p. 55.]
Defendia deixar prá lá a própria “revolução em um só país” e, ainda mais, a internacional, em prol da construção de uma nação capitalista forte e poderosa, mesmo reduzindo à semi-escravidão seus trabalhadores, o que propunha ser inevitável. Para ele, o objetivo da revolução seria desenvolver as forças produtivas. [MAESTRI, 2020, p. 55.]
Perigo Vermelho
Nos anos 1970, Domenico Losurdo foi expulso do Partido Comunista da Itália (marxista-leninista) em que militava, ao propor a aliança entre os USA, os fascistas, os democratas-cristãos, o exército, a OTAN e os maoistas italianos. Todos contra uma próxima invasão da Itália, pela URSS, apoiada pelo PCI. Coisa de doido! [NUOVA UNITÀ, 21/12/1976; 14/11/1978.]
Em 4 de novembro de 1978, em Livorno, cidade então vermelha e operária, defendendo essa tese, Losurdo teria fugido pela porta dos fundos de sala de conferência, para escapar de operários marxista-leninistas e antigos combatentes da resistência italiana enfurecidos, seus ex-camaradas do PCd´I (m-l). [NUOVA UNITÀ, 14/11/1978, p. 4; MAESTRI, 2020, p. 81.]
O italiano seguia obediente às teses do Partido Comunista da China, após a amigação Nixon-Mao e a definição da URSS como social-imperialista, como propus, na segunda edição de Domenico Losurdo: um farsante na terra dos Papagaios. [MAESTRI, 2020.]. Mais tarde, após se manter, por algum tempo, à sombra do Partido Comunista Italiano eurocomunista, reinventou-se como ideólogo do “socialismo de mercado chinês”, sendo convidado diversas vezes a visitar a China.
Visita à Chinelândia
Os atuais convites, a intelectuais amigos ou que se procura conquistar, para visitar a China, são semelhantes aos praticados no passado pela direção burocrática da URSS e, às dezenas de milhares, financiados ininterruptamente, pelos Estados Unidos, através da Fundação Ford, Partido Democrata, universidades negras, etc. Entretanto, me surpreendeu o convite —aceito— a Rui da Costa Pimenta, secretário-geral do PCO, a visitar a Chinelândia, com tudo pago, é claro.
No Brasil, Jones Manoel alavancou seu sucesso, como comunicador, divulgando Domenico Losurdo e seus livros, para o gáudio das editoras interessadas. Propagandeou as teses neo-estalinistas e as maravilhas do socialismo de mercado ao sabor chinês, propostas pelo italiano.
Jones Manuel teceu panegíricos à preocupação de Domenico Losurdo con a “luta anticolonial”, segundo ele, traída e esquecida pelo “marxismo ocidental”. O comunicador nada disse sobre o apoio de Losurdo ao combate imperialista da luta pela independência de Angola e de sua definição, como “mercenários”, dos mais de dois mil voluntários internacionalistas cubanos que morreram lutando contra as tropas supremacistas da África do Sul. [PESCE, 11/1976, p. 204; MAESTRI, 2020, p.80.] Jones Manuel abandonou sua apologia do farsante, salvo engano sem mea culpa, agora que integra onovíssimo PCBR, que defende o caráter capitalista e imperialista da China.
O Homem que Sabia Javanês
No Brasil, o exemplo mais fulgurante de sucesso na esteira da campanha chinesa de construção de seu poder brando, servindo-se de intelectuais, é Elias Jabbour, membro do comitê central do Partido Comunista do Brasil. Partido de trajetória errática, que já se propôs adepto do estalinismo, maoismo, marxismo-leninismo de Enver Hoxha, programa socialista, antes de se entregar às delícias da participação da administração social-liberal de nosso sofrido país.
Elias Jabbour despontou como especialista chinês do PC do B, quando ganhou espaço a discussão sobre as bondades da restauração revolucionária do capitalismo na China. Aqui não é momento de me alongar sobre a qualidade da produção sobre o fenômeno chinês de Elias Jabbour, que também visitou diversas vezes aquele país.
Escutei lives de Elias Jabbour e li alguns de seus livros de divulgação sobre a China, escritos ou não a quatro mãos. Não vi mais do que uma tradução burocrática ao português do jargão pró-restauracionista chinês.
O trabalho magno do ideólogo, pouco conhecido, é sua tese de doutoramento defendida na USP, em 2010. Por deveres de ofício a li, de fio a pavio. Confesso que fiquei perplexo. Em mais de trinta anos trabalhando na pós-graduação, jamais vi um trabalho semelhante, na forma e no conteúdo, aprovado. Recomendo a leitura.
Amigo da Rainha
Temos hoje uma plêiade de especialistas nacionais sobre a China, formados no Brasil e no exterior. As abordagens historiográficas parecem ser menos numerosas. A “fortuna crítica” brasileira do milagre chinês é muito rica e vasta, já difícil de acompanhar.
Foi Elias Jabbour o escolhido como diretor de pesquisas do Novo Banco de Desenvolvimento, ou coisa parecida, pela ex-presidenta, hoje diretora do Banco do BRICS+. Braguetaço de se tirar o chapéu! Certamente o cachê do camarada Jabbour não sofrerá os dissabores dos salários dos professores federais no governo dos companheiros Lula-Alkcmin. [PORTAL GRABOIS, 12.06.2023.]
Difícil para alguém fora dos circuitos do poder avaliar as razões da escolha surpreendente. Hoje, Dilma Rousseff, no BRICS+, joga mais pela China e pela Federação Russa, do que pelo Brasil de Lula da Silva. O presidente-companheiro tem sido definido maldosamente como “cavalo de Tróia” ianque no BRICS+, ainda mais ao barrar o ingresso da Venezuela no organismo, desejado ardentemente por Putin e apoiado por Xi, os donos da bola daquele clubinho.
Cavalo do Comissário
Com o livro China: o socialismo do século XXI, escrito em parceria com Alberto Gabriele, publicado pela prestigiosa Boitempo, Jabbour foi galardoado com o “Special Book Award of China 2022” Não há mais dúvida que o citado sortudo é hoje o “cavalo do comissário” chinês, que ganha todas as canchas, mesmo quando é, como dizemos aqui, no Sul, meio matungo! [VERMELHO, 18/06/2023.]
Há longas décadas, multidão de intelectuais, com frequência se propondo de esquerda e isentos de influências não científicas, defenderam e defendem teses conservadoras, pró-capitalistas, etc., financiados ou favorecidos, de diversos modos, em geral, por debaixo do poncho, pelo imperialismo ocidental.
Os que denunciam essa realidade são acusados de paranoicos e conspiracionistas, apesar de estudos acadêmicos de maior seriedade estarem desvelando alguns níveis desse processo. E os que participam nele avançam faceiros suas vidas intelectuais, consagrados como intelectuais excelentes. Ainda mais hoje, surfando a atual maré conservadora.
Falando o que não devia
Em 2019, Wanderson Chaves, jovem historiador e pesquisador da USP, publicou A questão negra: a Fundação Ford e a Guerra Fria (1950-1970), produto de longa e erudita investigação, realizada durante seu doutorado e pós-doutorado. O magnífico trabalho apoia-se em uma imensa documentação primária, sobretudo estadunidense.
O tema da investigação é a ação, no mundo e no Brasil, do imperialismo estadunidense, na produção e divulgação de teses sobre a “questão negra” em um sentido antimarxista e antirrevolucionário. Uma rubrica da produção do soft power mistificador ianque.
Sem se entregar a qualquer adjetivação político-ideológica, Wanderson Chaves registra a promoção pelo imperialismo de uma infinidade de intelectuais tupiniquins, não poucos de reputação impecável, que colaboraram na produção de políticas para a “questão negra”. Uma prática e realidade que seguem hoje, a rédeas soltas.
O trabalho acadêmico, de leitura incontornável, não recebeu distinção alguma, foi pouco resenhado, acabou sendo publicado pela Apris, pequena editora do Paraná, em 2019. [MAESTRI, 27/12/2022.] Modo elegante de cancelamento e de aviso do tratamento que receberão os intelectuais que se colocam a serviço do mundo social.
A Morte da Inocência
Agora, no mundo e no Brasil, ao lado da poderosa máquina imperialista estadunidense de destruir e construir consciências, segundo as suas necessidades, organiza-se outra, igualmente rica em recursos, mas com menos experiência, disputando-lhe a hegemonia: a chinesa.
Entre as duas, livra-se uma pugna à morte, reflexo do atual confronto inter-imperialista. Apesar de concorrerem, cada um a seu modo, devido às mesmas naturezas profundas, na defesa da ordem capitalista e para o enfraquecimento da luta pela emancipação social.
Não podemos, assim, esquecer que a inocência há muito abandonou o mundo da produção das ideias, onde brigam as respectivas matilhas desses dois cachorros grandes, deixando cada vez menos espaço para o confronto livre das reflexões sobre a sociedade, do presente e do passado.
O que não significa, em nenhum caso, que a vitória, dos Estados Unidos e de seus aliados ou da China e de seus associados, tenha o mesmo significado, no aqui e no agora, para a sorte do mundo do trabalho.
II. O Reino da Geopolítica ao sabor Limes
Xi Jinping: come la Cina sogna di tornare impero, de Giorgio Cuscito, não é trabalho de lobo solitário das ciências sociais. Ele foi parido no contexto de importante instrumento de produção de consenso, a citada revista “Limes: rivista italiana di geopolica”, publicação peninsular em combate permanente contra tudo que se move e se opõem ao bloco imperialista estadunidense.
Em 1993, surfando o êxtase imperialista da destruição da URSS, fundou-se a revista Limes que, de publicação bi-mestral, passou a mensal, em 2013. Desde seu nascimento, ela foi dirigida pela mão confiável do jornalista Lucio Caracciolo.
Caracciolo tinha todos os documentos em regra para operação cultural de tal ambição. Descendente de nobre e rica família napolitana, na juventude comunista, como tantos outros intelectuais não apenas italianos, acompanhou faceiro o avanço da maré reacionária mundial. Mas, no mundo mercantil em que nasceu, a revista não sobreviveu devido à qualidade.
Um padrinho rico
A revista nasceu sob a proteção de “santo forte”, para colaborar com a consolidação, na Itália, da proposta do fim da história e vida eterna do capital, sob a proteção paternal dos EUA. Após passar por diversas mãos gordas, hoje, a publicação é propriedade do Grupo Editorial Gedi, controlado pela família Agnelli, que também dispensa apresentações.
Os números de Limes traem artigos de seus redatores e de convidados, de diversas nacionalidades. A revista, com umas duzentas páginas em média, chega mensalmente, em papel ou virtualmente, a milhares de assinantes. É também vendida, através da Itália, em livrarias e bancas de jornais, onde os números temáticos mais oportunos se esgotam rapidamente. Trata-se de publicação de alto poder performático dirigida aos extratos cultos da sociedade italiana.
Fumos de pluralidade
Foram inúmeros os artigos sobre a guerra na Ucrânia, propondo a maldade dos russos e sua derrota inevitável. Agora, a publicação se retorce para diminuir o impacto de uma eventual vitória da Federação e para que, com ela, a publicação “não perca a cara”.
Limes é uma operação política, ideológica e epistemológica sustentada pelo grande capital. Quanto ao método de interpretação, à informação e às análises, constituiu um instrumento de construção de consenso, como proposto, infenso ao debate.
Com pretensa cientificidade e fumos de pluralidade, cavalga os campos despejados do pensamento único. Operação facilitada, hoje, em uma Europa imperialista que cerra forte o torniquete sobre qualquer dissenso, como registra o recente golpe de Estado institucional na Romênia. Entretanto, Limes fornece habitualmente rica informação e publica alguns artigos contracorrente valiosos, que a transformam em uma publicação válida, para os que a sabem ler.
A revista é roccafforte do método geopolítico, em sabor italiano, outra operação político-ideológica pró-capitalista, anti-científica e anti-marxista. Ela apoia-se na geografia, na política e na história, em um viés quase Ottocentesco, publicando uma enormidade de mapas coloridos, na mor das vezes, de pouca utilidade.
Um mundo supra-histórico
Para essa visão geopolítica, o escorrer dos tempos é tendencialmente homogêneo, não havendo diferenças essenciais entre o passado e o presente. Não há determinação da história das nações por suas contradições internas, pelos confrontos de classe e sociais.
O que lhe passa duras rasteiras, como a causada pela incapacidade de prever a atual tensão vivida pelo belicismo anti-Federação Russa, nascida do crescente dissenso popular, que se pretendia manter amordaçado, na Alemanha, na França, na Romênia, na Eslováquia, etc.
Analisa-se a história geral e particular a partir do choque dos múltiplos interesses das nações, propostas sem interesses e contradições internas e singulares, dirigidas por líderes mais ou menos lúcidos. Defende visão de um mundo construído para as classes dominantes, em um claro sentido positivista.
Limes propõe-se apontar as trilhas internacionais e nacionais que a Itália deve seguir, para retornar a um tempo de poder e esplendor no passado não muito distante, que a revista propõe ser inimaginável fora da sombra onipresente do imperialismo estadunidense.
III. Limes contra a República Popular da China
Nos dois últimos anos, a linha editorial de Limes concorreu igualmente com a proposta da vitória inevitável e total sobre a Rússia. Ela seria um passo imprescindível para debelar a ameaça maior que pesaria sobre a Europa e a Itália pró-globalistas e pró-europeísta. Ou seja, o questionamento da ordem mundial, sob a égide estadunidense, pela República Popular da China, cada vez mais próxima do Velho Mundo, devido ao seu poder crescente.
O lançamento de Xi Jinping: come la Cina Sogna di tornare impero se enquadra nesse movimento de construção-manipulação da consciência europeia em chave anti-chinesa. Seu autor, o jovem geopolítico Giorgio Cuscito, é uma criatura de Limes e de seu diretor-fundador, Lucio Caracciolo, a quem entregou o prefácio e define como tutor.[CUSCITO, 2022, p.193.]
Provar o fracasso do sonho chinêsde retornar a sua situação de Império é o objetivo central do texto. O autor não utiliza jamais categorias como “imperialismo”, “capitalismo”, “luta de classe”, “burguesia”. A palavra “socialismo” emerge no texto, três vezes apenas, ao citar a apologia chinesa de “socialismo com características chinesas”. “Proletariado” é citado, uma vez, ao se referira à proposta de Mao de “democracia proletária”.
O uso recorrente da categoria “império”, fluída e trans-histórica, serve para evacuar referência ao imperialismo nascente, no caso chinês, e, portanto, aos tradicionais, estadunidense e ocidentais. As categorias citadas seriam produto de distorções de leitura da realidade pré-1991, evacuadas pela geopolítica.
O Fim da História
No livro não há explicação como a China revolucionária, de 1949, se tornou, na capitalista, de 1978, de Deng Xiaoping e Xi Jinping. As referências ao “Império do Centro” pululam no texto, que nada diz sobre o Grande Salto Adiante (1958-60) maoista, que pôs o país de joelhos.
Quando das raras referências à Grande Revolução Cultural Proletária, como pano de fundo da narrativa, o autor tropeça na cronologia. [BETTELHEIM, 1976; MAESTRI, 2022, p. 22 et seq.]. A restauração capitalista, oficial desde 1978, é lida como uma simples “política de reforma e abertura para acelerar o crescimento econômico da República Popular”, promovida por Deng Xiaoping. [CUSCITO, 2023, p.99.]
O jovem geopolítico disserta, em dezoito capítulos breves, como a construção de “poder brando”, ao lado de expansão militar, sobretudo naval, no contexto da expansão econômica, levou Xi Jinping, na direção da nação, a perseguir um “risorgimento” nacional da China, como potência imperial que fora até o século 19.
Uma espécie de viagem ao futuro, para voltar ao passado. “O sonho chinês” consiste “na ascensão ao rango de superpotência, no retorno da China à glória do período imperial, quando o país se compreendia como o centro do mundo”, em superação do «século da humilhação». [CUSCITO, 2023, p.38.]
Razões do Fracasso
Projeto que, para o italiano, teria sido, até agora, apenas um sonho, devido, por um lado, à reação defensiva das nações ocidentais e dos Estados Unidos, desconfiados das boas intenções chinesas, e, por outro,aos limites estruturais e orgânicos da China atual.
O livro não apresenta igualmente abordagem mais detida do salto da China, de produtora e exportadora de mercadorias de consumo corrente, à situação de nação imperialista, exportadora de bens de alta tecnologia e, sobretudo, de capitais. [PROBSTING, 2014; CARIELLO, 2021, p.54. MAESTRI, 2022, p. 66 et seq.]
Em sua fuga da história, Cuscito não se debruça sobre as condições em que o processo de produção, acumulação e reprodução ampliada de capitais chineses, públicos e privados, ensejou sólido capital monopólico obrigado a se exteriorizar, para não sucumbir. Efetivamente, se “isso não ocorresse, diminuiria a taxa da capacidade instalada das grandes indústrias e empresas da China, com queda geral de sua rentabilidade e importantes sequelas político-sociais”. [MAESTRI, 2022, p. 63.]
Imperialismo de Olhos de Amêndoas
Foi a gênese do robusto capital monopólico chinês que engendrou iniciativas como a “Nova Rota da Sede”, lançada em 2013. E exigiu a exteriorização da atividade diplomática, em sentido lato, na produção de um poder brando chinês, enquanto se consolidava, igualmente, seu hard power, capacidade de se impor pela força econômica, militar, por sanções, pressão diplomática, etc.
Pequim não sonha, definitivamente,com o impossível retorno aos tempos do “Império do Centro”, quando o Estado chinês reinava sobre imensos territórios pré-nacionais, de economia agrícola e relações servis dominantes.[GUILLERMAZ, 1959; 1970.]
Hoje, o PCC expressa, em forma principal, a defesa do capital, em geral, e do capital monopólico chinês, público e privado, em particular, eixo da moderna expansão capitalista do país, em uma já madura etapa imperialista. Movimento que o impulsa tendencialmente para obtenção de uma hegemonia econômica mundial. Já é —e necessita avançar— como uma potência mundial, e não mais continental.
Pequim não quer, literalmente, “servir-se” da Nova Rota da Seda para alcançar “objetivos na República Popular e no exterior”. Ela não é mera operação de prestígio para a construção de “soft power”, passo para a restauração do poder imperial perdido. Ela é ferramenta em favor sobretudo do capital monopólico chinês, para captar parte substancial do comércio mundial e garantir-se o fornecimento ininterrupto de matérias-primas, para não se asfixiar. O que se processa em contradição necessária com o bloco imperialista estadunidense, em regressão relativa.
Fracasso Geral
Para Cuscito, o grande erro de avaliação de Xi Jinping e da direção chinesa seriaconsiderar os Estados Unidos em regressão relativa. Fora alguns tropeços, como proposto, a hegemonia política, econômica, financeira, tecnológicas, diplomática e militar ianque se manteria sem abalos. Os EUA também manteriam, segundo ele, a plenitude do domínio cultural, político e ideológico [soft power].
O autor propõe que, após alguns sucessos iniciais, a ofensiva diplomática internacional chinesa teria emperrado e regredido, com destaque para os grandes estados europeus — França, Inglaterra, Itália, Alemanha — e extra-europeus — Canadá, Japão, Austrália. Insucesso nascido da contra-ofensiva estadunidense motivada pela “ascensão econômica e militar” chinesa.
O avanço da China como potência expansiva teria causado uma insegurança praticamente mundial, levando a OTAN a defini-la como uma “ameaça sistêmica”. “A contensão” —eufemismo tradicional para o assédio à China— dirigida pelos Estados Unidos, “colocou a China nas cordas”, grogue devido aos golpes que recebeu de seus oponentes. [CUSCITO, 2023, p. 295.]
Isolada diplomaticamente, Pequim foi obrigado a ter, apenas, como um real aliado, “pouco confiável”, a sulfurosa Federação Russa, sob a direção de Putin, reduzida a uma situação de um Estado “quase […] pária.” [CUSCITO, 2023, p. 295.]
Para confirmar suas afirmações, o autor descreve os insucessos chineses na Europa, na Ásia, na África. Os poucos avanços diplomáticos chineses seriam devidos sobretudo ao seu novo poder econômico, que o geopolítico italiano propõe em esgotamento tendencial. Não haveria solução para a sinuca de bico em que Xi Jinping teria se metido.
É a economia, idiota
A redação de Xi Jinping: come la Cina Sogna di tornare Impero, foi concluídoem 2022, apoiada em dados e reflexões do autor dos anos anteriores, em geral já apresentados em artigos de Limes. Nos últimos dois anos, o núcleo sólido de sua reflexão e documentação de apoio se dissolveu literalmente no ar, com singular rapidez.
Cuscito não se arrisca a fazer um balanço, mesmo telegráfico, quando ao sucesso do poder brando chinês nascido das impressionantes 150 nações que se integraram, em graus diversos, à “Nova Rota da Seda” e as inúmeras iniciativas concretizadas ou em concretização.
Sucesso devido, como ele mesmo propõe, a interesses essencialmente econômicos, que regem, fortemente, o andar da carroça das nações. Iniciativas que a economia do bloco imperialista estadunidense em crise não consegue replicar, priorizando, por isso, a solução militar.
Nos dez últimos anos, desde o lançamento do BRI, a China conheceu avanço inusitado, quanto à dimensão das relações diplomáticas e visibilidade internacional, para não ir mais longe. Comparação não ideológica, entre seus sucessos e insucessos, e os dos EUA, coloca em má situação as teses de Cuscito.
No “Global Soft Power Index 2024”, produzido na Inglaterra, a China encontra-se no terceiro lugar, após os Estados Unidos e a Inglaterra, superando pela primeira vez o Japão e a Alemanha. Antes, ocuparia o quinto lugar. Avaliação apoiada em mais de 170 mil entrevistas. A avaliação positiva da China teria avançado sobretudo quanto aos “Negócios e Comércio” e à “Educação e Ciência”. [RENOWNED BRAND, 08/04/2024.]
Esquecer para não Chorar
Nesse período, os EUA se enterraram em uma infinidade de sanções, assédios, ataques a múltiplas nações, através do mundo, com destaque para o agora conflito lutado na Ucrânia e o genocídio em Gaza, que lhes aliena simpatia, não apenas no mundo muçulmano e árabe.
O que contribuiu para o acúmulo de um débito monstruoso, no qual o pagamento da dívida pública já emparelha com seus gastos militares. Mas o bloco imperialista ocidental acaba de obter uma imensa vitória com a conquista da Síria, servindo-se de tropas fundamentalistas islâmicas.
Cuscito reconhece as espantosas taxas de crescimento vividas pela China durante longos anos, mas enfatiza e desvaloriza a expansão média de 5% do PIB chinês nos últimos cinco anos, excelente, para uma economia avançada e já rica. Nos últimos dez anos, o crescimento médio do PIB estadunidense foi inferior aos 2%.
É estrondoso o silêncio do autor sobre o BRICS+, a poderosa articulação internacional avançada pela China e pela Rússia, que progride a passos largos incorporando nações díspares interessadas sobretudo em se proteger dos desmandos estadunidenses, ao utilizar o dólar como instrumento político e econômico interno e externo. Além de ter determinado, ainda parcialmente, mas em crescimento, o comércio internacional, o BRICS+ tem servido também como instrumento da política diplomática chinesa.
BRICS+: Economia e Diplomacia
A Arábia Saudita apoiou-se no BRICS+ para ensaiar política de autonomia em relação aos EUA, propondo por fim à era do petrodólar, um golpe terrível para a economia estadunidense. A China promoveu a aproximação entre ela e o Irã, desorganizando outro importante eixo da política de dominação ianque no Oriente Médio. Fez o mesmo em relação ao Hamas e o Hezbolah. Esses avanços estão, entretanto, comprometidos pelo fim da autonomia do Estado sírio e, talvez, da própria unidade do país, em favor das forças do bloco imperialista estadunidense. [HAINES, 07/24.]
A China ensaiou aproximação e melhor comunicação com a Índia e o Paquistão. Apoiada no Brasil, ela avançou plano de paz para pôr fim da guerra na Ucrânia, sem deixar de apoiar diplomática e economicamente a Federação Russa. Xi e Putin juraram “amizade sem limites” entre as suas nações, quando estava para começar a “Operação Militar Especial na Ucrânia”, sobre a qual a China foi certamente informada.
A China se arrisca, entretanto, ao não se envolver mais diretamente no confronto em apoio à Federação Russa, contra os Estados Unidos e a OTAM, para não comprometer suas relações comerciais com o dito Ocidente. Os atuais sucessos na Síria mostram a caráter temerário desta opção.
Desejo não é realidade
No programa dos EUA-OTAN de combate à Federação Russa estava inscrito transformá-la em “nação pária”, já antes do início do conflito na Ucrânia, em fevereiro de 2022. Pressionados pelos EUA para isolar a Federação, “os países do ´Sul Global´ optaram esmagadoramente por preservar os seus laços com a Rússia”. [HAINES, 07/24.]
Em fins de 2024, a proposta de tornar a Federação uma nação “pária” faz parte de um passado distante e mal-vivido pelos Estados Unidos e pela OTAN, encerrado simbolicamente pelo telefone recente, do chanceler alemão, a Vladimir Putin. Entretanto, com os sucessos na Síria, a Rússia perde um aliado histórico.
Hoje, Putin mantém um alto apoio no país, que cresce economicamente, enquanto as tropas russas avançam de forma acelerada na Ucrânia. Na Europa, as grandes economias e os governos que apoiaram a ofensiva contra a Federação Russa encontram-se desestabilizados, com destaque para a Inglaterra, França, Alemanha. Cresce na Europa a exigência de paz na Ucrânia.
A França, a grande ex-metrópole colonial, vem sendo expulsa aos pontapés por sucessivos governos africanos, sobre o silêncio precaucional dos Estados Unidos e aliados europeus. Isso, enquanto avança a presença não apenas diplomática da Rússia no Continente Negro. Nada mal para uma nação pária!
Desastre Sírio
A apologia de Giorgio Cuscito e sua alienação da realidade alcançam graus inverossímeis ao defender a manutenção do alto poder mórbido ianque. “O american dream prevê que o indivíduo possa auto-realizar-se, prescindindo da coletividade […] sua marca preserva uma poderosa capacidade atrativa.” Sua louvação do “soft power” ianque é incondicional, mesmo quando ele sofre fortes golpes, externos e internos.
As paisagens atuais estadunidenses que se fincam no imaginário mundial são os massacres de civis por civis ensandecidos; as barracas de sem-tetos das grandes cidades; as guerras e ameaças sem fim promovidas pela nação das “estrelas e listas”; as hordas de imigrantes chamadas para baixar o custo do trabalho; a situação de dilaceramento político e ideológico nacional acirrada pela vitória de Donald Trump.
Na cinematografia, importante construtora da auto-imagem estadunidense e de sua venda no exterior, entrou em eclipse o sorriso idiota de Doris Day e as trapalhadas do Mike Mause, o camondongo antropormofizado que supera sempre as dificuldades. Nela, imperam, agora, os vampiros, os massacres, os walks dead, as multidões viciadas em opioides, que simbolizam no inconsciente profundo a antropofágica decadência da sociedade americana.
Fim dos Tempos
Com o fim dos tempos da expansão econômica estadunidense, o grande capital não pode mais propor às classes trabalhadoras e médias, como no pós-guerra, como um sonho a ser realizado, a casa unifamiliar em tranquilos subúrbios de moradores higienizados, com o jardinzinho frontal e as duas garagens laterais.
Hoje, o capital globalizado estadunidense agita no país e exporta para o mundo um wokismo cada vez mais assustador. Negando os direitos sociais universais, avança reivindicações referentes à identidade racial, sexual ou de gênero, de grupos singulares, preocupados em construir estruturas de poder próprias e despreocupados com a dilaceração social que provocam.
O wokismo globalista agita, diante dos olhos do mundo, “drag kings” lecionando em escolas maternais; mulheres se transformando em homens e homens se transformando em mulheres; a manipulação ideológica, medicamentosa e cirúrgica da sexualidade de crianças e adolescentes; linguagem faciosa e incompreensível imposta arbitrariamente. O que lança no medo e nos braços da manipulação fundamentalista, multidões de famílias assustadas. [MOUTOT & STERN, 2024.]
Soft Power Chinês
O soft power estadunidense apoiou-se em um complexo cultural, ideológico, linguístico, imaginético, etc., há milênios hegemônico na bacia mediterrânica. Ele se estendeu através do mundo colonizado pelo dito Ocidente, com penetração e consolidação diferenciada nas Américas, Ásia, África, Oceania.
A Ásia segue relativamente infensa ao domínio linguístico e cultural ocidental profundo e mais aberta ao chinês, com o qual comparte, em boa parte, hábitos, imaginário, língua, uma história milenar comum. Essa região do mundo, conheceu crescimento demográfico e econômico acelerado. Negar essa realidade é massagear o ego dolorido de uma Europa em retrocesso relativo econômico e demográfico.
A população atual europeia é de pouco mais de 740 milhões de habitantes e, as populações africana, chinesa, indiana, em torno de um bilhão e quatrocentos milhões cada uma. Apenas elas, somadas, superam quase seis vezes a população europeia, com uma regressão de natalidade estrutural minorada por uma imigração que lhe causa terríveis problemas políticos. Em 2023, o nome mais comum de meninos nascidos na Inglaterra foi Mohammad. [PODER360, 8/12/2024.]
No aqui e no Agora
O soft power é sobretudo uma decorrência da atração do dinamismo e do sucesso econômico. Apesar da grande dificuldade do aprendizado, mais de 25 milhões de pessoas estudariam o mandarim fora da China. Há vinte anos, apenas alguns gatos pintados se dedicavam a aprender as complicadas língua e escritura chinesa.
A República Popular da China e os Estados Unidos são nações sem contradições essencias profundas, literalmente farinha do mesmo saco. Apoiam-se no mesmo processo de produção e apropriação capitalista de mercadorias. O capital chinês e o ianque exploram com a mesma voracidade trabalhadores nos seus países e através do mundo. Entretanto, hoje, a economia chinesa o faz com maior rentabilidade e maior capacidade de expansão. Conhecem contradição incontornável pois devem se expandir, incessantemente, para sobreviver.
Atualmente, e a médio prazo, quanto ao comportamento internacional, as diferenças são importantes. Uma nação, em expansão, com o domínio da produção manufatureira, prefere as trocas mercantis como meio de competição. A outra, em regressão ainda que relativa, ameaçada de ser superada em todos os níveis, em alguns anos, saca o revólver e sai disparando para liquidar o oponente, antes de ser depenada. Mesmo sob o perigo de arrastar o mundo a uma situação crescente e imprevisível de conflito militar.
Para nós, hoje, creio que é preferível uma guerra econômica do que um conflito militar geral, mesmo localizado, que ameaça cada vez mais a própria sobrevivência da humanidade. O que pode permitir um maior tempo e melhores condições para colocar na rua o bloco do mundo do trabalho, pateticamente desorganizado, disperso, debilitado, sob forte e ininterrupta repressão de todos os tipos, entre elas, as político-ideológicas. Ou seja, sob a sedução patológica do dito poder brando das classes dominantes das nações imperialistas.
Bibliografia citada
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