O Império ataca e a crise avança. É preciso um programa socialista!

A crise global do capital tem avançado rapidamente nas últimas semanas, como evidenciam diversos episódios pelo mundo afora. De um lado, o imperialismo yankee e seus aliados radicalizam sua ofensiva política e militarista contra os países dependentes, buscando estabelecer áreas de influência em regiões estratégicas para sua sobrevivência, ao mesmo tempo que tentam antecipar o confronto decisivo com China e Rússia, enquanto ainda imaginam ter capacidade para vencer. A invasão da Venezuela, a captura de Maduro e a imposição dos interesses das petroleiras ao governo venezuelano, o cerco a Cuba, a instalação de bases militares no Paraguai e o ataque criminoso e ilegal ao Irã, em aliança com Israel, demonstram que em sua dinâmica expansiva o imperialismo apela cada vez mais para o controle político e militar dos países e regiões onde tem interesses estratégicos, retomando elementos do neocolonialismo vigente na virada do século XIX para o XX. De outro lado, o imperialismo yankee apoia o avanço político e eleitoral das forças de extrema direita, afinadas política e ideologicamente com seus interesses, por meio de chantagem econômica, pressão política ou mesmo manipulação midiática, como visto nas recentes eleições argentinas e hondurenhas ou no encontro de cúpula “Escudo das Américas”, entre Trump e governantes latino-americanos. Paralelamente, a aposta do imperialismo, e do capital em geral, para superação de sua crise tem sido o aprofundamento da extração de combustíveis fósseis, a mineração de terras raras e o avanço destrutivo da fronteira agrícola, entre outras, aprofundando o colapso ambiental e ampliando a potência dos eventos climáticos extremos. A ofensiva para se apropriar do petróleo da Venezuela e do Irã pelo governo dos EUA e a tentativa de privatização do Rio Tapajós e de outros rios amazônicos pelo governo brasileiro deixam clara a centralidade deste tipo de iniciativa para a lógica do capital hoje. O recuo do governo brasileiro foi uma vitória histórica dos movimentos indígena e ambientalista. No entanto, sem um programa que contemple a preservação dos rios e das florestas da Amazônia, em conformidade com os interesses dos povos originários e da agroecologia, e que coloque a questão ambiental no centro das políticas de Estado, o agronegócio e seus aliados internos e externos voltarão à baila, com mais radicalidade ainda. 

Na verdade, esses episódios dramáticos revelam que o papel das mediações políticas e o reconhecimento condicionado das classes subalternas como sujeitos sociais e políticos, tão importantes para a construção da chamada “democracia burguesa” depois da Segunda Guerra e mesmo sob a globalização e o neoliberalismo, vêm sendo esvaziados em favor da violência indiscriminada, do uso aberto da repressão policial-militar e da coerção político-judicial como instrumentos de dominação de classe. A dominação burguesa recrudesce e se autocratiza, tornando-se mais dura e inflexível nos quatro cantos do mundo. O enfrentamento desta ofensiva já não admite que os trabalhadores e demais classes subalternas limitem sua luta e mobilização a medidas paliativas, que buscam reformar uma ordem social em franco esgarçamento e cuja sobrevivência depende de mais violência e destruição. Sem contemplar a perspectiva da ruptura socialista como horizonte histórico que condiciona e politiza as lutas cotidianas, seremos espectadores do que se já se apresenta como a pior “era” da história humana. 

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