
Escrevendo em maio de 1961, Everardo Dias lembrava assim de seus primeiros anos de militância pública:
“Sessenta anos são passados desde que iniciamos, muito moços, quase adolescentes, a nossa vida de prosélito e de agitador, de ouvinte ávido e mais tarde lutador, escrevendo, falando, dissertando em conferências e meetings. Salões exíguos, pobres de ornamentos, escuros, com algumas cadeiras e bancos toscos, pequena mesa ao fundo, poucos concorrentes. Mas os oradores falavam com calor e entusiasmo, interrompidos às vezes por vibrantes aplausos. Mistura de alguns letrados com operários, a cultura harmonizando-se com as fainas manuais”.1
Nesta passagem do livro História das lutas sociais no Brasil, originalmente publicado em 1962, no qual se articula acontecimentos da história operária das primeiras décadas do século XX com informações biográficas, Everardo Dias comenta brevemente seus primeiros anos de militância, mostrando as dificuldades dessa atuação política e a importância do período para sua formação.
Os detalhes dessa militância estão presentes em outros documentos. No prontuário de Everardo Dias disponível no DEOPS pode-se ler uma síntese de sua trajetória, escrita pelo órgão repressão em 1944:
“Anarquista. Comunista. Tem tido contínuo contato com a polícia, por efeito de suas ideias avançadas e cuja propaganda tem se dedicado com carinho. Tem emprestado a sua atividade intelectual a uma intensa propaganda comunista. Autor de livros de fundos subversivos. Suas grandes atividades foram sempre subversivas, ora dirigindo, ora colaborando em jornais anarquistas ou comunistas. Seus discursos sempre foram contra os poderes constituídos”.2
Everardo Dias apresenta uma trajetória bastante plural e multifacetada. Natural de Pontevedra, na Galícia, Everardo Dias foi trazido da Espanha aos três anos de idade ao Brasil, em 1886. Seu pai Antonio Dias, espanhol, tipógrafo, maçom e militante anarquista, participou de um frustrado levante republicano na Espanha, tendo contado com o apoio da rede de sociabilidades maçônica para escapar da perseguição política em seu país de origem. Everardo Dias realizou seus estudos primários em São Paulo, começando a trabalhar também como tipógrafo no jornal O Estado de S. Paulo, até se formar na Escola Normal da Praça da República.
Talvez sua primeira forma de militância tenha se dado entre os imigrantes espanhóis, em São Paulo, por meio da publicação de jornais e da participação em sociedade beneficentes, culturais e recreativas. Entre outras, participou da criação da Liga Espanhola de Defesa Mútua, em 1903, “criada com o fim precípuo de oferecer assistência jurídica a associados, e instalada com subseções funcionando em cidades do interior para atender a demanda de reclamações dos imigrantes contra os fazendeiros”3. Em 1904, atuou como professor em Aparecida do Monte Claro, “um lugarejo no interior de São Paulo, mas logo desistiu e voltou à capital, onde trabalhou como jornalista e professor de História”4. Nesse período, iniciou estudos na Faculdade de Direito de São Paulo, “onde só fez o primeiro ano, pois dificuldades financeiras o impediram de continuar os estudos”.5
Entre ideias e ideologias
Em sua trajetória pública, Everardo Dias apresenta tanto elementos que mostram certo pluralismo de ideias como a convergência com manifestações ideológicas que permeavam a cultura política do período. Observa-se, primeiro, uma fase marcada pela atuação na imprensa anticlerical, associada principalmente ao jornal O Livre Pensador, publicado inicialmente como suplemento semanal de A Lanterna, tendo circulado entre 1903 e 1909 e entre 1914 e 1915. O jornal, que tinha Everardo Dias como proprietário e editor, se declarava “órgão dos anticlericais e, principalmente, dos livres-pensadores”.6 O jornal “defendia a liberdade religiosa e de imprensa, cultuando a razão contra o conservadorismo da Igreja Católica”. 7
O jornal também colaborava com a organização política dos anticlericais. Everardo Dias participou, em 8 de abril de 1906, de reunião de fundação da Liga Anticlerical Intransigente, realizada em São Paulo. Na ocasião foi aprovado um documento apresentado pelo próprio Everardo Dias, onde eram apontados os preceitos que os correligionários da referida associação deveriam seguir, como “Não casar religiosamente”, “Não batizar os filhos”, “Manter, longe do lar e da família, os chamados ministros de Deus”, “Não confiar à igreja nem aos seus adeptos a educação dos filhos”, entre outros.8
Em meio a esse combate anticlerical, o jornal, por meio de seu título e textos, defendia a liberdade de pensamento. Everardo Dias sistematizou a ideia de livre pensamento como
“[…] o direito e o dever que todo homem tem de pensar livremente sobre qualquer assunto, sem peias nem restrições de espécie alguma. É a emancipação de todos os antigos prejuízos e preconceitos, de todos os métodos autoritários, de todas as tutelas de ordem moral e intelectual, de ordem filosófica e de ordem econômica. É a libertação na sua integralidade. É a luta do homem contra a fatalidade da natureza e contra os dogmas no espírito. O livre pensamento é o direito ao livre exame”.9
Uma segunda fase na atuação pública de Everardo Dias passa pela aproximação à imprensa libertária, colaborando com essas publicações, em especial para o jornal A Plebe, destacando-se o período das greves ocorridas entre 1917 e 1919. Contudo, não há uma efetiva adesão de Everardo Dias ao anarquismo, na medida em que, nesse mesmo período, junto a outros militantes, ainda que de forma bastante confusa, passa a defender a Revolução Russa e, inclusive, declarar simpatia pelo chamado “maximalismo”, como era conhecido o bolchevismo. Pela compreensão difundida no período, a partir das poucas informações acerca do processo revolucionário russo, maximistas (ou maximalistas) seriam “os adeptos do programa máximo do partido socialista, e minimistas são os partidários do programa mínimo”10. Em 1917, as informações acerca do processo revolucionário russo que chegavam ao Brasil eram escassas e pouco claras, fazendo com que críticos e defensores elaborassem suas posições a partir de poucas informações. Segundo Everardo Dias, faltava “a todos nós, militantes da América, convicção alicerçada na verdade, para emitir opinião acertada a respeito da Revolução Russa”.11
Entre socialistas e comunistas
Observa-se, por fim, uma terceira fase na trajetória pública de Everardo Dias que passa pela adesão de ao comunismo. Essa adesão tem seu primeiro momento com a participação no grupo Clarté, que editou uma revista de mesmo nome, em 1921. O Grupo Clarté se insere em um contexto de mudanças nas organizações do movimento operário brasileiro, seja teórica, seja na forma de organização, antes da fundação do Partido Comunista (PCB), em 1922. Depois da Revolução Russa, em 1917, “os militantes sindicais, pequeno-burgueses e operários, na sua grande maioria de formação anarquista e, também, alguns intelectuais começaram a buscar novas formas de organização”12. Nesse cenário surgiram organizações que misturam, de diferentes formas, elementos teóricos do anarquismo, do socialismo reformista e do comunismo, expressando posições bastante difusas ou mesmo contraditórias, definido por Everardo Dias como um “confusionismo teórico”.13 Nesse período, “a revolução russa introduziu, no movimento operário brasileiro, novas ideias, novos conceitos, novas palavras, embora, inicialmente, de forma vaga e confusa”.14
Em 1921, com a divulgação de um apelo aos latino-americanos assinado por Barbusse a Anatole France, foram dados passos concretos no sentido de organizar um coletivo ligado ao Clarté no Brasil. O apela se dirigia à “falange magnífica de escritores, artistas e estudantes que anelam renovar os valores morais e estéticos dos povos jovens da América Latina”15. Na declaração a desigualdade e a exploração eram denunciadas de forma bastante genérica, buscando-se “estimular uma revolução nos espíritos, conforme os ideais que já alvorecem na nova consciência da humanidade”.16 Os autores do texto buscavam fazer com que seu apelo fosse ouvido por uma “minoria seleta e clarividente, pelo melhor da juventude que estuda e sonha, por todos os intelectuais e artistas que confiam na possibilidade de melhorar a sociedade humana”.17
Embora usem do termo “revolução”, a transformação social defendida pelo manifesto é genérica e pouco precisa, ainda que alguns de seus signatários nesse período tenham vínculo com setores anarquistas ou sindicalistas revolucionários. Uma primeira resposta veio do Brasil. Entre os nomes que demonstraram interesse no apelo dos franceses, encontram-se Afonso Schmidt, Coelho Cintra, Cristiano Cordeiro, Everardo Dias, Joaquim Pimenta e Lima Barreto. Não se sabe de forma precisa a relação entre essa resposta publicada em março pelo primeiro grupo brasileiro ao apelo dos intelectuais da França e a efetiva organização do Grupo Clarté meses depois. Sabe-se, contudo, que esse primeiro texto inclui alguns destacados intelectuais e sindicalistas que não tiveram atividade no Grupo Clarté, como o escritor Lima Barreto, e não inclui os nomes importantes do grupo, como Nicanor Nascimento.
No Brasil, publicou-se uma revista também chamada Clarté, que teve sete edições e foi publicada entre setembro de 1921 e janeiro de 1922, com uma tiragem média de dois mil exemplares. O grupo era dirigido por um Comitê Diretor, com sede na cidade do Rio de Janeiro, sendo “o único autorizado a tomar todas as decisões concernentes à ação geral do Grupo”18. O Comitê Diretor era composto por Luiz Palmeira, Evaristo de Moraes, Nicanor Nascimento, Everardo Dias e Antonio Correa da Silva. Everardo Dias, posteriormente, mencionou outros nomes que teriam tomado contato com Clarté, como Maurício Lacerda, Agripino Nazareth, Alcides Rosas, Teresa Escobar, Vicente Perrota, Francisco Alexandre, entre outros. Everardo Dias também fez menção à existência de trinta apoiadores, entre os quais alguns líderes sindicais, mas não cita seus nomes.
O grupo brasileiro definiu seus princípios e programas em duas declarações publicadas no primeiro número da revista, em setembro de 1921. O primeiro texto é uma espécie de manifesto do grupo, em que se pode identificar referência tanto ao marxismo como ao positivismo, sem, contudo, apresentar uma perspectiva política clara ou construir uma análise específica acerca da situação do Brasil. O texto é bastante vago em suas formulações, iniciando com a seguinte frase: “O ambiente mundial determina uma situação especial para os intelectuais emancipados de preconceitos”.19 Na sequência afirma-se: “Nós pelejamos pela verdade na sua forma de conhecimento, e desenvolvida nas suas fórmulas superiores – a beleza e a justiça”20. Por essas passagens, pode-se afirmar que o texto não defende uma transformação da sociedade a partir de uma ruptura com o sistema econômico vigente, mas por um tipo de regeneração moral da humanidade.
Em outros textos publicados na revista, assinados pelos diferentes colaboradores, alguns desses temas foram novamente explorados, expressando que “pontos de vista que por vezes davam a impressão de uma visão mais crítica e militante do que aparecia nessas declarações iniciais”21. Contudo, ainda que eventualmente alguns dos textos apresentem posições mais críticas do que aquelas defendidas nos primeiros documentos do grupo, eles não superam as posições reformistas de socialismo apresentadas. Embora sejam comuns, as críticas ao capitalismo e à burguesia têm um conteúdo predominantemente moral e são bastante genéricas. Por exemplo, referindo-se à burguesia, Everardo Dias afirmava:
“[…] o seu espírito mercantilista promove guerra internacionais, tanto para ter novos seres e territórios para explorar, como para distrair e enganar, com o espantalho da pátria – que não reconhece – as multidões ignorantes e embrutecidas por largos séculos de escravidão, que o clero de todas as religiões reforça, e eficazmente”.22
Nessa lógica, as ações da burguesia não se relacionam a relações sociais concretas, com vistas à obtenção da mais valia, mas à vontade dessa classe em explorar e expandir seu poder, enganando as “multidões”. Portanto, a exploração do trabalho não seria uma relação social objetivo, mas sim o produto da vontade de um indivíduo. Por outro lado, as multidões não se constituiriam em sujeitos históricos conscientes, mas uma massa ignorante e embrutecida enganada pela burguesia, pelo Estado e mesmo pelo clero.
Como consequência desse raciocínio apresentado por Everardo Dias em seu texto, seria possível criar a ilusão de que a burguesia se convenceria da maldade de suas ações e entregaria o poder aos trabalhadores. Everardo Dias afirmando ainda: “Desista a burguesia da propriedade e deixe-a em benefício da comunidade, da qual pode também fazer parte, gozando uma vida de desafogo que hoje não pode absolutamente gozar, apesar de suas riquezas”.23 O texto pedia à burguesia para deixar de lado a pressão sobre os demais cidadãos, deixando-os tão livres quando lhes permitisse seu “estado natural”. Se assim o fizesse, segundo Everardo Dias, as lutas sociais desapareceriam,
“[…] unindo em feliz consórcio os antigos proletários com os burgueses que a partir desse momento formarão todos o conjunto social mais belo que se pode imaginar, e, dando cada um o que a sua força muscular ou intelectual lhe permita, terá direito de sentar-se à mesa do grande banquete social, satisfazendo-se com a sua abundância ou sofrendo com a sua míngua”.24
Em janeiro de 1922, publicou-se outro texto que esboça certa compreensão de socialismo, mais precisamente, de que forma estaria dividido naquele momento. No texto, Everardo Dias afirma:
“Há, entre os socialistas do Brasil, como de resto no mundo inteiro, divergências de doutrina e às vezes ásperas dissensões. Uns, mais intransigentes, outros mais adaptáveis ao meio, outros querendo uma transformação por etapas, ainda outros aspirando à posse do Estado para o remodelar numa organização soviética, todos, afinal, querem ver a sociedade renovada em todas as suas formas arcaicas e injustas. Entre nós não há acordo, porque diferimos nos meios de ataque à atual organização social”.25
Embora sem utilizar esses termos, Everardo Dias aponta para a existência de diferentes setores, como aqueles que defendem a transformação social, centrando a diferença justamente na compreensão de qual a melhor forma de superação do capitalismo. Alguns dos reformistas estavam em Clarté. Posteriormente, alguns dos membros de Clarté de lançaram na construção de uma das várias tentativas de construir um Partido Socialista no Brasil. Everardo Dias lembra assim desse movimento:
“Seguindo uma diretriz paralela ao “Grupo Clarté”, alguns de seus principais organizadores propugnaram a fundação de um Partido Socialista, articulando para isso os elementos mais ativos e entusiastas que se encontravam à frente dos sindicatos moderados tanto da Capital da República como dos Estados e com os quais mantinham contato permanente e dispunham de prestígio, especialmente Nicanor Nascimento e Joaquim Pimenta, este no norte do país e o primeiro no Distrito Federal. Pelo programa exposto, seria um partido não parlamentarista, mas que recorreria às urnas, à imprensa e a todos os meios de propaganda para a difusão de ideias e organização das massas laboriosas”.26
Em 1923, Everardo Dias aderiu PCB, fundado no ano anterior, embora seu vínculo orgânico pareça ter se encerrado com sua expulsão, em 1930. Seu vínculo com o PCB é admitido pelo próprio Everardo Dias em diferentes, ocasiões, como em suas declarações diante da polícia política, no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS), de São Paulo. Conforme declarou Everardo Dias em 1944, “militou como socialista nesta Capital por muitos anos, isto é, até mil novecentos e vinte e três, data em que foi fundado o Partido Comunista”27. Poucos meses depois, em outro depoimento à polícia política, Everardo Dias declarou que se desligou do PCB em 1930, tendo “daí para cá se desinteressando de qualquer movimento partidário”. 28
Contudo, possivelmente a mais significativa associação pública da imagem de Everardo Dias ao PCB foi sua candidatura a vereador pelo Bloco Operário e Camponês (BOC), em 1928. Essa política, que começou a se construir durante o estado de sítio, previa a construção de um bloco “formado nos marcos de uma política de ‘frente única’, a qual tinha por objetivo unificar e juntar os esforços de todos eles, em razão de sua ‘afinidade básica de interesses’, para a disputa eleitoral”29. Em 1927, o BOC elegeu um deputado para a Câmara Federal, o médico Azevedo Lima, que não era militante comunista. No ano seguinte, Octávio Brandão e o operário Minervino de Oliveira, militantes do PCB, foram eleitos para a câmara municipal do Rio de Janeiro.
O BOC deveria agrupar os trabalhadores e suas reivindicações de modo independente, buscando, também, alianças com a pequena burguesia para a realização de seu projeto revolucionário. Essa política era exaltada na imprensa partidária, onde se afirmava: “Operários, empregados, lavradores, pobres, pequenos funcionários, só o Bloco Operário e Camponês representa os vossos interesses. Dá-lhe o vosso apoio”.30 Pode-se afirmar que
“[…] esse projeto, inspirado nas concepções de etapas no processo revolucionário em voga na IC, previa inicialmente uma democrática revolução pequeno-burguesa, que agruparia os trabalhadores, dirigidos por sua vanguarda, o PCB. Por sua vez, a pequena burguesia teria a sua vanguarda, os chamados “tenentes” e os setores da classe média a eles ligados. Vitoriosa esta, a ela se seguiria a revolução proletária, dirigida pelos comunistas, e que instalaria um governo dos trabalhadores”. 31
Everardo Dias se inseriu nesse processo devido principalmente ao prestígio adquirido no período de greves ocorrido no final da década anterior. Contudo, no final da década de 1920, o aprofundamento da disciplina partidária levaria ao afastamento de importantes dirigentes do partido. Em documento da Internacional Comunista publicado no jornal A Classe Operária de abril de 1930, apontava-se uma série de problemas na política e na organização do PCB. No documento afirmava-se:
“Diversos fatos indicam que, no seio do Partido Comunista do Brasil, muito longe estão ainda de compreender a importância da hegemonia do proletariado na revolução democrático-burguesa, e a necessidade absoluta de um partido “independente” do proletariado, para realizá-la. No partido, prega-se abertamente a teoria da “revolução democrática pequeno-burguesa”, sob cuja cobertura “o proletariado poderia prepara-se para a conquista do poder” (camarada Brandão)”.32
O documento criticava abertamente a política que vinha adotando o partido, nos anos anteriores, de aproximação a setores da chamada “pequena-burguesia”, especialmente os tenentistas. Criticava-se a “direitização” das atividades do partido, sua política de alianças com “elementos da pequena burguesia”, a exemplo do BOC, o que estaria prejudicando “sua independência como condutor da classe operária”. 33 Segundo a análise que vinha sendo defendida pelo partido, considerando os desdobramentos das revoltas militares de 1922 e 1924, “caberia ao partido apoiar os revoltosos pequeno-burgueses”, que colocariam “a burguesia industrial no poder. O passo seguinte seria a tomada do poder pelo proletariado”.34 Contudo, no III Congresso do PCB, realizado entre dezembro de 1928 e janeiro de 1929, essas posição foram revistas, reavaliando o “papel desempenhado pela pequena burguesia na revolução democrático-burguesa”35. Embora o partido mantivesse a caracterização do caráter burguês da revolução, ou seja, democrático-burguesa, passava a adotar a avaliação de que “a única classe historicamente habilitada para realizar tal tarefa era a classe operária”. 36
O PCB buscou implantar as novas orientações políticas, sendo uma de suas principais ações a desarticulação do BOC. Em outro âmbito, no que se refere ao desligamento de dirigentes que não seriam considerados de confiança da direção internacional, foi publicado no jornal A Classe Operária, no mês de novembro de 1932, um longo artigo no qual se anunciava que o Comitê Central havia votado, “por unanimidade uma resolução expulsando Astrojildo Pereira como traidor e renegado da causa do proletariado”37. O texto afirma que o ex-secretário geral do partido teria “passado inteiramente para o outro lado da barricada, para o lado dos nossos inimigos de classe”38. Nesse partido que buscava “demarcar as fronteiras de classe na luta revolucionária”, chamado por adjetivos como “indivisível”, “monolítico”, “centralizado”, “bolchevizado”, não militavam mais nomes como Minervino de Oliveira, Everardo Dias, Freire de Oliveira, Cristiano Cordeiro, Odilon Machado, entre outros.
O exílio
O acontecimento de maior repercussão na militância política de Everardo Dias foi possivelmente sua expulsão do Brasil, no final de 1919. Preso em função de sua colaboração com a imprensa anarquista, Everardo Dias foi deportado junto a outros vinte e dois estrangeiros, por “exercer atividade anarquista” e, por conseguinte, por ter se “constituído em elemento pernicioso à sociedade e comprometedor da tranquilidade pública”39. Em um contexto de ampla repressão, devido a uma série de greves ocorridas nos anos anteriores, organizou-se, como resposta ao processo de deportação, uma ampla campanha em defesa de Everardo Dias, que reuniu imprensa operária, organizações socialistas, sindicatos, parlamentares e mesmo a Maçonaria.
No final dos anos 1910 um conjunto de greves mobilizou os operários de diferentes lugares do país, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre 1917 e 1920, o movimento operário viveu uma fase intensa de mobilizações. Em 1917, na cidade de São Paulo, “a partir de movimentos isolados de paralisação nas fábricas de tecidos, surgiram greves de solidariedade e grandes passeatas de protesto”.40 Essas mobilizações redundaram em uma greve geral, paralisando por alguns dias toda a cidade. Segundo relato de Everardo Dias, a proporção assumida pela greve
“[…] apanhara todos de surpresa. Nunca fora possível calcular que ela assumisse a amplitude que rapidamente assumiu e com a repercussão alarmista e de adesismo que cundiu [se espalhou] pelos Estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Pará, sem falar no Distrito Federal onde os líderes sindicais desenvolviam atividade febril para secundar o movimento de São Paulo, desencadeando a greve geral revolucionária entre os cento e cinquenta mil trabalhadores, paralisando transportes urbanos e marítimos, concentrando as massas em pontos adequados”.41
Embora em 1918 tenha ocorrido certo arrefecimento dos movimentos grevistas, as greves prosseguiram de forma localizada, continuando também o esforço de ampliação e consolidação das organizações operárias iniciadas no ano anterior. Por outro lado, as notícias sobre a Revolução Russa e o debate em torno dela começaram a aparecer na imprensa operária, ainda que houvesse pouca clareza sobre aquele. Essas notícias e as lutas locais levaram a que, em novembro de 1918, um grupo bastante heterogêneo, formado por anarquistas, dirigentes sindicais e políticos oposicionistas, se envolvesse em uma tentativa insurrecional. Como parte desse movimento “greves operárias se combinariam a tomadas de quartéis e prédios públicos, rumo à derrubada do poder central”.42 Everardo Dias lembra que “a preparação da greve geral insurgente tomou assim corpo e expansão entre os principais líderes sindicalistas, anarquistas, socialistas e grupos democratas descontentes com a situação do país”.43 Como parte da mobilização foi elaborado e discutido, segundo Everardo Dias, “um programa de caráter socialista e que seria o manifesto com que se apresentaria ao povo, visando a eliminação de toda especulação, castigo exemplar aos exploradores da miséria do povo, além da nova estrutura política que a situação do memento exigia”.44
Esse conjunto de ações levaram Everardo Dias e outros participantes das mobilizações da época à prisão e, no caso de alguns deles, à expulsão do país. Segundo relato de Everardo Dias, no interrogatório sofrido durante a prisão ele também teria ressaltado o fato de residir havia muitos anos no Brasil. Ele teria afirmado:
“Declarei que não me considerava espanhol, pois se nascera na Espanha, viera na mais tenra infância para o Brasil, aqui aprendera a ler, aqui passara a minha meninice, aqui me fizera homem, aqui constituíra família, aqui militara na política, sendo eleitor, empregado público, etc.”.45
No dia 1 de novembro, A Plebe e outros jornais saíram em defesa de Everardo Dias e dos demais deportados, afirmando.
“Everardo Dias era um anticlerical que desenvolveu durante muitos anos, por um órgão de imprensa neste estado, uma brilhante campanha contra os parasitas de batina. Por este fato, os padres juraram-lhe vingança e agora satisfizeram seus desejos por intermédio deste infamíssimo governo de carolas subservientes”.46
Na imprensa operária, a partir do final de dezembro de 1919, começou-se a publicar notícias de que Everardo Dias voltaria ao Brasil. Segundo artigo publicado em 27 de dezembro, “o governo federal, não podendo por mais tempo esconder a absoluta injustiça do arbitrário proceder da polícia de São Paulo, acaba de se dirigir ao governo deste estado para que reconsidere o seu ato anulando a expulsão de Everardo Dias”.47 O governo teria reconsiderado a decisão, tendo prontamente “telegrafado para a Europa a fim de que Everardo Dias regresse ao seio de sua família”.48
No começo de janeiro de 1920 foram divulgadas outras informações acerca da revogação do decreto que expulsou Everardo Dias. Em texto publicado por Spartacus, afirmava-se que a revogação havia ocorrido devido à “pressão da campanha sustentada entre nós, no parlamento e nos círculos maçônicos”, quando o governo “cedeu e confessou publicamente o seu erro”.49 Segundo o texto, a posição do governo mostrava a que estava correta a postura da imprensa operária, que teria afirmado sempre “que essa deportação, além de infamíssimo, era ilegal”.50
O jornal Spartacus enfatizava que esse não era um caso isolado, afirmando, na edição de 3 de janeiro de 1920, que a deportação de Everardo Dias seria “apenas o caso típico de toda essa monstruosa perseguição aos anarquistas”, sendo as todas as demais deportações “obra da mesma infâmia e do mesmo descaso pela legalidade”.51 Nenhum dos decretos de expulsão teria sido feito conforme os preceitos legais, levando-se a uma situação em que “os camaradas expulsos foram presos, maltratados, postos incomunicáveis, impossibilitados de se defenderem, e em maioria nem ouvidos foram”.52 Comprando os demais casos à revogação da expulsão de Everardo Dias, afirma-se que “a monstruosidade da expulsão desses homens não é menor que a monstruosidade da expulsão de Everardo”.53 O texto afirma:
“Todos os expulsos, como Everardo, são trabalhadores honrados, que só no trabalho buscavam os meios de subsistência sua e de suas famílias. Todos eles tinham longa residência no Brasil. O que aqui estava há menos tempo contava 6 anos de residência. Muitos dos outros residiam há mais de 20 anos. Muitos deles tinham família aqui constituída, com filhos brasileiros”.54
No final de janeiro publicavam-se algumas informações acerca do retorno de Everardo Dias ao Brasil. Segundo a imprensa operária, no dia 26 de janeiro, Everardo Dias passou por Recife, onde “foi alvo de entusiástica manifestação”.55 Everardo Dias relatou posteriormente: “Durante os três dias que o navio esteve fundado no Recife o operariado e os meus amigos excedem-se em gentilezas para comigo. Generosos e nobres companheiros! Não me ocorriam palavras com que exprimir minha alegria e minha gratidão por essas provas de quente solidariedade”.56 Dias depois, Everardo Dias, ao desembarcar,
“[…] foi recebido no cais por considerável multidão, que o conduziu, em cortejo, até a sede do sindicato dos trabalhadores de construção civil, onde se realizou uma imponente sessão magna, presidida pelo nosso camarada Antonio Bernardes Canelas, de regresso àquela cidade após a violência de que foi vítima”.57
Na ação contra a expulsão de Everardo Dias, diferentes setores se unificaram, reivindicando ainda as ideias do amplo bloco republicano que, com o passar dos anos, vinha se dissolvendo. O foco da crítica desse bloco, que reunia desde anarquistas até parlamentares do Partido Republicano, deixou de ser o clero e passou para algumas das ações do modelo de República, sem que isso signifique a unificação desses setores em um projeto de sociedade ou mesmo a luta em defesa da superação do sistema econômico.
Entre maçons
Toda essa trajetória de Everardo Dias teve como pano de fundo sua relação com a Maçonaria. O vínculo maçônico de Everardo Dias pode ser verificado, entre outros documentos, em alguns dos seus textos, como no livro Semeando, que reúne conferências feitas em templos maçônicos entre 1908 e 1921, onde se refere à Maçonaria como “sublime instituição a que nos honramos pertencer”.58 Outro documento que mostra o vínculo maçônico de Everardo Dias é uma das edições do Boletim do Grande Oriente de São Paulo (GOSP), publicada em 1919.
Everardo Dias escreveu alguns textos refletindo sobre a Maçonaria. Para ele, conforme afirma em conferência realizada em fevereiro de 1917,
“[…] a Maçonaria é uma comunidade composta de homens livres que têm por guia o progresso social da Humanidade, secundando os princípios do direito natural e da justiça: a sua divisa é a investigação da verdade, o estudo da moral e a prática da solidariedade. Em suma: a Maçonaria é uma corporação universal altamente filantrópica, filosófica, progressista e eminentemente política”.59
O vínculo Maçônico parece ter se esfriado, a partir principalmente da década de 1930. De forma paulatina, se percebe, no interior da Maçonaria, uma “guinada conservadora”, que levaria a ordem inclusive a assumir posturas anticomunistas. O movimento de afastamento em relação ao PCB redundou em ações de condenação tanto do comunismo como de outras posições consideradas extremistas. Em 1934, no mesmo documento que se proibia na Maçonaria a presença de membros da Ação Integralista Brasileira (AIB), também se orientava como proceder em relação aos comunistas. Segundo o documento, emitida pelo Grande Oriente do Brasil (GOB), no que se refere ao comunismo seria “preciso distinguir entre os que adotam o materialismo histórico, a dialética marxista, como instrumento, como método de pesquisa, e os que militam no Partido Comunista”.60
No interior da Maçonaria rapidamente se incorporou o discurso anticomunista, que permeava o conjunto da sociedade e começou a se fortalecer principalmente a partir da década de 1930. O anticomunismo assumiu diferentes características, durante o século XX, marcado pelas características particulares dos grupos e lugares sociais em que foi elaborado e reelaborado, sendo possível falar de vários “anticomunismos”. O anticomunismo se assemelha a algumas das posições defendidas pela Maçonaria no período. Em documento publicado em 1937, pelo GOB, reafirmava-se o caráter da Maçonaria como “instituição eminentemente nacionalista”, destacando seu combate aos “desalmados inimigos da ordem e do regime, da família e da nação” e criticando as doutrinas “antinacionais” e “oriundas de inspiração estrangeira”.61 Por outro lado, o anticomunismo apresentava o comunismo como “o inimigo, o estrangeiro, o ‘outro’ que ameaçava despedaçar a unidade do corpo nacional”, sendo atitudes inaceitáveis “o discurso internacionalista dos comunistas e sua vinculação ao Estado soviético” e devendo a defesa da nação e da unidade nacional “estar acima de quaisquer considerações, fossem elas de natureza social, econômica ou política, e os valores nacionais não poderiam jamais ser suplantados por uma ordem internacional”.62
Com a crescente influência da Guerra Fria, a Maçonaria, bem como o restante da sociedade, viu-se cada vez mais assombrada pelo suposto “perigo vermelho”. Em função disso, no ano de 1949, o GOB publicou novas orientações para lidar com os comunistas, proibindo “a iniciação de elementos que professavam a ideologia comunista, recomendando a máxima severidade nas sindicâncias, de forma a evitar o ‘ingresso de elementos totalitário’ entre os irmãos”.63 Esse rumo conservador consolidou-se nas décadas seguintes, materializando-se principalmente no apoio maçônico ao golpe civil-militar de 1964. No contexto do golpe, ainda que houvesse tensões internas na Maçonaria, produto de uma suposta política de infiltração comunista na instituição, o seu contingente mais numeroso se opunha aos setores de esquerda.
No contexto vivido por Everardo Dias, os desencontros entre maçons e comunistas ainda não tinham ganhado um caráter antagônico. Pelo contrário, parecia haver certa confluência entre essas e outras experiências organizativas na Primeira República, na defesa da ampliação de direitos políticos e sociais. O anticlericalismo unia diferentes correntes no sentido de construção dos diversos modelos propostos para a República, fazendo com que, entre o fim do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, fosse possível identificar grupos em que se articulavam anticlericais, liberais, abolicionistas, anarquistas, socialistas, positivistas, espíritas, maçons, comunistas, entre outros. Para esses setores, o ponto comum era o combate à ordem vigente e a luta por uma sociedade renovada, tendo, para isso, de enfrentar inimigos que exerciam influência sobre a nascente República, como as oligarquias rurais ou mesmo o clero católico.
Everardo Dias, presente!
Essa trajetória, na atualidade, pode parecer contraditória. Contudo, no começo do século, como é possível perceber que em Everardo Dias e em outros militantes não havia contradições em se identificar, ao mesmo tempo, com a Maçonaria e com as principais ideologias do movimento operário. Na Primeira República, a Maçonaria ainda se posicionou como aliada de interesses dos segmentos mais pauperizados, ainda que em grande medida tivesse entre seus membros burgueses e profissionais liberais. O giro conservador pelo qual passou a Maçonaria está associado às mudanças na situação social e política do país, em especial a chegada de diferentes segmentos da burguesia ao poder central e dos estados, principalmente a partir de 1930. No começo da década de 1960, ainda era possível perceber a significativa presença de membros progressistas no interior da Maçonaria, em especial ligados ao trabalhismo.
No começo no século XX, essas trajetórias individuais dos militantes encarnavam tradições, contradições e ideologias das mais diversas, associados em alguns casos, por exemplo, ao abolicionismo ou ao tenentismo, sendo possível destacar nomes como Evaristo de Moraes, Maurício de Lacerda, Joaquim Pimenta, Astrojildo Pereira, Cristiano Cordeiro e Luiz Carlos Prestes. No processo de consolidação da República, no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, manifestaram-se ideologias sociais das mais variadas, como o positivismo, o jacobinismo, o socialismo reformista, o anarquismo, o comunismo, entre outras. Soma-se a essas expressões ideológicas também “o reforço das influências positivistas e evolucionistas no socialismo internacional da época (incluindo, depois, o próprio ‘marxismo-leninismo’ da III Internacional) que não abandonará tão cedo o pensamento socialista brasileiro”.64
Observa-se que as experiências vivenciadas no âmbito da cultura e da política na Primeira República produziram a convergência de um conjunto de ideias, em torno de um projeto comum de transformação social, caracterizado por reformas na sociedade e pelo aprofundamento do que esses setores esperavam do projeto republicano. Nesse sentido da aproximação de experiências e ideologias, parece que se caminhava para a constituição de um socialismo bastante peculiar, no qual convergiriam elementos diversos, entre os quais leituras particulares do marxismo, do positivismo, do anticlericalismo, do anarquismo e até mesmo da filosofia maçônica. Portanto, em meio ao processo de modernização produzido pela nascente República, um conjunto de setores populares parece ter compartilhado certa cultura política que poderia ter sido o elemento principal de novas formas de ideologia ou até mesmo de um socialismo mais afinado com a experiência histórica brasileira.
Os militantes ligados ao movimento operário parecem ter compartilhado certa cultura política, que, embora os unificasse, também estava marcado pela defesa de diferentes projetos de República. Essa cultura política se caracteriza, ainda que de forma genérica, por um ideal de sociedade marcada pela ampliação de direitos sociais e políticos. Estava presente na maior parte das correntes políticas e ideológicas a ideia de que um conjunto de reformas promovidas pelo Estado republicano poderia levar ao processo de modernização do país. Contudo, muitas das expectativas com o novo regime foram sistematicamente sendo frustradas. Naquele contexto, “desapontaram-se os intelectuais com as perseguições do governo Floriano; desapontaram-se os operários, sobretudo sua liderança socialista, com as dificuldades de se organizarem em partidos e de participarem do processo eleitoral; os jacobinos foram eliminados”.65
Essa situação teve diferentes consequências, que passavam pela crescente diminuição da tolerância do regime para com quaisquer iniciativas de mobilização dos trabalhadores. Os diferentes setores, entre os quais os operários e uma parcela da intelectualidade, encontraram na mobilização coletiva e no aprofundamento de alguns pontos do programa republicano elementos que aproximavam suas ações, centrando suas ações em questões como pontuais, como nas críticas no clero católico ou na luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores.
Na Primeira República, não é difícil identificar certas convergências entre socialistas, maçons e outras correntes políticas na Primeira República. Percebe-se pela elaboração de ideias em comum acerca de uma visão moral ou do gradualismo das reformas sociais elementos que aproximam diversas correntes. Essa convergência está presente em Everardo Dias, sendo o estudo de suas ideias importante no sentido de compreender esse processo de entrelaçamento de ideologias que, passadas tantas décadas, contemporaneamente são vistas como antagônicas.
Este texto não passou pela revisão ortográfica da equipe do Contrapoder.
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 15. ↩︎
- DEOPS/SP, Prontuário 136, Everardo Dias, fl. 37, 09/08/1944. ↩︎
- CANOVAS, Marilia Dalva Klaumann. Imigrantes espanhóis na Paulicéia: trabalho e sociabilidade urbana (1890-1922). São Paulo: USP, 2009, p. 377. ↩︎
- RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política, São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 20. ↩︎
- CASTELLANI, José. Ação secreta da maçonaria na política mundial. São Paulo: Landmark, 2001, p. 134. ↩︎
- O Livre Pensador, São Paulo, Ano II, Nº 82, 19 de maio de 1905, p. 1. ↩︎
- RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política, São Paulo: Editora UNESP, 2010, p. 20. ↩︎
- A “Liga”. O Livre Pensador, São Paulo, Ano III, Nº 125, 18 de abril de 1906, p. 2. ↩︎
- Everardo Dias. Delenda Roma! Conferências anticlericais. Rio de Janeiro: Oficina Gráfica da Escola Profissional Maçônica José Bonifácio, 1921, p. 26. ↩︎
- Helio Negro & Edgard Leuenroth. O que é maximismo ou bolchevismo. São Paulo, 1919, p. 5. ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 103-4. ↩︎
- BANDEIRA, Moniz. O ano vermelho: a revolução russa e seus reflexos no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2004, p. 206 ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 102. ↩︎
- BANDEIRA, Moniz. O ano vermelho: a revolução russa e seus reflexos no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2004, p. 203. ↩︎
- Aos intelectuais da América Latina. A Vanguarda, São Paulo, ano I, 16 de março de 1921, Nº 16, p. 1. ↩︎
- Aos intelectuais da América Latina. A Vanguarda, São Paulo, ano I, 16 de março de 1921, Nº 16, p. 1 ↩︎
- Aos intelectuais da América Latina. A Vanguarda, São Paulo, ano I, 16 de março de 1921, Nº 16, p. 1. ↩︎
- Estatutos da sociedade civil Clarté. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, Nº 1, 1 de setembro de 1921, p. 16. ↩︎
- Clarté. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, nº 1, 01 de setembro de 1921, p. 1. ↩︎
- Clarté. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, nº 1, 01 de setembro de 1921, p. 1. ↩︎
- HALL, Michael e PINHEIRO, Paulo Sérgio. O grupo Clarté no Brasil: da revolução nos espíritos ao ministério do Trabalho. In: PRADO, Antonio Arnoni (org.). Libertários no Brasil: memória, lutas, cultura. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 273. ↩︎
- Everardo Dias. De século a século. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, Nº 2, 15 de setembro de 1921, p. 60. ↩︎
- Everardo Dias. De século a século. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, Nº 2, 15 de setembro de 1921, p. 61. ↩︎
- Everardo Dias. De século a século. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, Nº 2, 15 de setembro de 1921, p. 60. ↩︎
- Everardo Dias. Exploradores. Clarté, Rio de Janeiro, Ano 1, Nº 7, janeiro de 1922, p. 215-6. ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 109. ↩︎
- DEOPS/SP, Prontuário. 136, Everardo Dias, fl. 35, 09/08/1944. ↩︎
- DEOPS/SP, Prontuário. 136, Everardo Dias, fl. 46, 20/11/1944. ↩︎
- KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao parlamento: o bloco operário e camponês no Brasil. Alameda: São Paulo, 2006, p. 56. ↩︎
- Fackel. O partido “democrático” do Rio é um partido dos grandes exploradores! A Classe Operária, Rio de Janeiro, Segunda Fase, Nº 2, 5 de maio de 1928, p. 2. ↩︎
- KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao parlamento: o bloco operário e camponês no Brasil. Alameda: São Paulo, 2006, p. 170-1. ↩︎
- INTERNACIONAL COMUNISTA. Resolução da Internacional Comunista sobre a situação brasileira. A Classe Operária, Rio de Janeiro, Segunda Fase, Nº 89, 17 de abril de 1930, p. 3. ↩︎
- MARQUES NETO, José Castilho. Solidão revolucionária: Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1993, p. 124. ↩︎
- SILVA, Angelo José da. Comunistas e trotskistas: a crítica operária à Revolução de 1930. Curitiba: Moinho do Verbo, 2002, p. 63-4. ↩︎
- SILVA, Angelo José da. Comunistas e trotskistas: a crítica operária à Revolução de 1930. Curitiba: Moinho do Verbo, 2002, p. 65. ↩︎
- SILVA, Angelo José da. Comunistas e trotskistas: a crítica operária à Revolução de 1930. Curitiba: Moinho do Verbo, 2002, p. 65. ↩︎
- BRADO. O astrojildismo e a luta pela formação do partido do proletariado. A Classe Operária, Rio de Janeiro, Ano VIII, Nº 145, nov. 1932, p. 2. ↩︎
- BRADO. O astrojildismo e a luta pela formação do partido do proletariado. A Classe Operária, Rio de Janeiro, Ano VIII, Nº 145, nov. 1932, p. 2. ↩︎
- DEOPS/SP, Prontuário 136, Everardo Dias, fl. 33, 20/11/1944. ↩︎
- MATTOS, Marcelo Badaró. Trabalhadores e sindicatos no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Expressão Popular, 2009, p 55. ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 86. ↩︎
- MATTOS, Marcelo Badaró. Trabalhadores e sindicatos no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Expressão Popular, 2009, p 57. ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 87. ↩︎
- DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. São Paulo: Edaglit, 1962, p. 89. ↩︎
- Everardo Dias. Memórias de um exilado: episódios de uma deportação. São Paulo, 1920, p. 37. ↩︎
- Uma infâmia. A Plebe, São Paulo, ano III, número 43, 1 de novembro de 1919, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias vai regressar. A Plebe, São Paulo, ano IV, número 48, 27 de dezembro de 1919, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias vai regressar. A Plebe, São Paulo, ano IV, número 48, 27 de dezembro de 1919, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- verardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias voltará. Spártacus, Rio de Janeiro, ano I, número 23, 3 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- O regresso de Everardo Dias. A Plebe, São Paulo, ano IV, número 50, 31 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias. Memórias de um exilado: episódios de uma deportação. São Paulo, 1920, p. 86. ↩︎
- O regresso de Everardo Dias. A Plebe, São Paulo, ano IV, número 50, 31 de janeiro de 1920, p. 1. ↩︎
- Everardo Dias. Semeando: palestras e conferências. Rio de Janeiro: Oficina Gráfica da Escola Profissional Maçônica José Bonifácio, 1921, p. 16 ↩︎
- Everardo Dias. Semeando: palestras e conferências. Rio de Janeiro: Oficina Gráfica da Escola Profissional Maçônica José Bonifácio, 1921, p. 91. ↩︎
- MOREL, Marco; SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 211. ↩︎
- MOREL, Marco; SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 212. ↩︎
- MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em guarda contra o “Perigo Vermelho”: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). São Paulo: Perspectiva, 2002, p. 31-2. ↩︎
- MOREL, Marco; SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 228. ↩︎
- ZAIDAN FILHO, Michel. Comunistas em céu aberto (1922-1930). Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1989, p. 132-3. ↩︎
- CARVALHO, Jose Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 37. ↩︎
